sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Na palma da mão

Estendes a mão e mostas-me as linhas que te conduziram a mim.
Sorrio.

É-me impossível ficar sério quando me tocas com as pontas dos dedos na palma da minha mão.
Deixas-me tocar-te, de mansinho, suavemente e sinto o calor.

Mesmo no mais gélido dos Invernos existe um recomeço de vida que posso vislumbrar no brilho dos teus olhos.

Fosse o Mundo todo assim, meu Amor, como a palma da tua mão.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Will - O Contemplador


Faço as apresentações: “Sou o Will”, aquele que contempla.

Explico que tenho a noção que não sou o único que tenho templo, que tenho tempo para observar atentamente. Mostro concordância quando me referem que o fazemos por gosto. O que nos move é também este desejo de aprender a adjectivar o Mundo que nos rodeia e nos determos em reter o que observamos.

Faço uma pausa para evidenciar o título: “O Contemplador”.

A escolha do verbo era importante para não ser redutor. Contemplar pode ser um acto transitivo em que damos e beneficiamos. Há uma reciprocidade latente.
Mas também pode ser intransitivo se quisermos meditar profundamente.
Pressupõe uma escolha, uma dupla valência porque confio no livre arbítrio.
Não pretendo apenas olhar, ficar a ver. Não quero ficar preso no templo, a meditar ou a observar a dor. Quero ser agir enquanto contemplador.
A vida é feita de enganos, de cruzamentos e de caminhos sinuosos. Mas a vida é também construída de justaposições, de reciprocidades e confidências.
Se contemplar pressupõe, para mim, uma escolha… escolho considerar as histórias da minha vida com admiração, com amor.
É o que fará este contemplador, por gosto.